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sábado, 31 de janeiro de 2015


No banquete do Gusanos seremos o prato principal.
Não haverá talheres de prata, guardanapos ou taça de cristal.
Viemos do pó e ao pó voltaremos novamente,
Antes seremos carniça a repulsa dos viventes.

A morte é uma cela de onde não podemos escapar.
Todos os micros organismo irão nos devorar,
Cada um escolherá um pedaço da anatomia que lhe apraz,
De cima, do lado, de baixo ou atrás.
Mas com certeza a língua será sobre mesa,
Da carniça foi o membro que pecou mais.

Para debaixo da terra também vai,
todo poder, glórias, riquezas e a cruel tirania,
O orgulho, a vaidade e a mundana sabedoria.
Quem é abraçado pela morte da cova não sai.
- Só se Jesus  vier lhe buscar um dia.

Toda miséria, doença e toda fome,
Toda mulher e todo homem,
Toda vida que há neste mundo.
Podem viver por anos, mas morrem num segundo.

Por tudo que lutou, venceu ou conquistou,
Roubou ou massacrou, foi em vão, 
na morte não se leva nada...não.

O que é do mundo, na morte teus pertences daqui não sai,
Por isso não existe gaveta em caixão,
Na morte, não se faz a mudança em caminhão.
Contra a morte nos temos está liça,
Quando morremos; Não podemos nem levar a própria carniça.

                                           Chico Gouveia



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015


É com um S, dois SS, Ç ou com X ou CH.

Prufessora: Eu tumém quero fazer o Enem.
Mas não quero mi bombardear.
Por isso dia e noite não paro de estudar.
Tô com as respostas tudinha na ponta da língua,
Não tenho medo de errá.

Mas tem uma coisa qui pode mi reprová.
É uma tal de redação,
Que as palavras num podi errá.

Por isso venho pedí a sua ajuda,
Por favor mi acúda,
Não quero mi reprova.

Preste atenção:
Xarope aquele de bebê, é com x ou ch,
Mousse aquela gosma mole,
É com s, dois ss ou ç,
Tô todo atrapalhado com o chapéu,
não seu se é com x ou ch,

Socorro minha filha, com essa pilha de palavras que parecem palavrão,
Chacina, chafariz, charlatão,
charrua, cíclico e cicuta.

Me escuta!
É com x, ch ou um s, dois ss ou ç.
Sinopse, sineta, chimarrão.
Essa então é de lascar;
Sintaxe, para escrever nem sei por onde começar.
Moça, movediça, mordaça.
O que você acha: devo continuar?

Tô perdidinho nesta tal de redação,
Me diga Prufessora e eçe corassão, 
Se não tiver dono; me faça uma doação.
Já,Já!

                            Chico Gouveia

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015


Em uma história dessa quem já ouviu falar.
Eu vim lá de Cabreúva, montado numa jumenta,
que não parava de reclamar: 
Ela: Porque tu não monta nas costas de tua mãe,
para ver se ela consegue te aguentar.
Pelo amor de Deus, pare um puco para descansar,
Ou vai querer fazer a viagem toda sem parar.

Tu, está gordo igual a uma baleia,
e não para de mastigar.
Eu não sou feita de aço,
Já me sinto um bagaço, nem aguento mais andar.
Se fosse a sua mãe eu queria ver se você não iria parar.

E parei...
Fiz uma parada de descanso em Várzea Paulista,
A jumenta se aproveitou e sumiu de vista.
Não consegui mais encontrá-la.
O jeito foi seguir viagem carregando uma pesada mala.
Ela tinha razão em reclamar, como doeu as costas.
Caminhei mais de trinta horas, do jeito que ninguém gosta.
Enfim cheguei em Mogi das Cruzes quase para desmaiar.
Encontrei a jumenta em casa.
Lá no pasto... e parecia gargalhar.

                                                           Chico Gouveia



                                                               



                                                                                   

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



O vaga-lume tem pisca-pisca no rabo.
De rir eu me acabo de vê-lo piscar.
O meu amor que não é boa-bisca, Aí!
Me belisca, mandando eu parar.

Mosquitinho elétrico engraçado,
Dá seta para todos os lados,
Mas não sabe para onde vai entrar.
E eu só fico observando e rindo à toa sem parar.

São coisas do verão, que só quem tem percepção, pode observar.
A criação e a criatura, coisas de nossa cultura,
Que não se pode relevar.
Aves que nascem na Primavera, mas é no verão que elas vem desabrochar.
Os insetos aproveitam o verão para se proliferar.
Pernilongo doidinho, já vem de canudinho prontinho para me chupar.   

Eu e meu amor aproveitamos o calor só para namorar.
Deitados na rede.
Não tem fome nem tem sede,
Que faça a gente se levantar.
Aqui não tem Internet nem telefone,
E o meu sobre-nome é ...eu quero te amar.Aí!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015


O meu amor está com uma flor no cabelo, 
também com tantos pelos, quero ver ela se derrubar.
Eu também vou me enrolar nos teus cabelos,
para você nunca me deixar.

 Mas já tenho medo que você crescendo
queira logo namorar.
Vou perder os teus cachinhos dourados,
aonde eu vou me enrolar?

Pai coloca os filhos no mundo,
Mas o mundo logo quer lhe roubar.
Ás vezes choro por minha menina, um choro calado.
Pensando em seu futuro e o que o destino tem lhe reservado.

                                                                                           Chico Gouveia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015


Cupido


Cupido ou cuspido! Cupida ou cuspida!
Fostes mandado pela mãe dela. A sogra!
A tua flecha estava envenenada, tenho certeza.
Não era amor! Era dormência.

A filha entrou na minha vida, a sogra que trouxe as malas.
Também entrou... e ficou.
Para a sogra sou objeto de retórica: Calado!
E Eu fico. Até a filha fica. 
Mas estamos conspirando fugir de casa depois de casados.

E assim fizemos. Deixemos o carro para o lado de fora.
Nele colocamos alguns pertences, roupas...
Fugimos na alta madrugada, na hora que tudo se cala.
Mas a miserável da velha veio junto. Escondida no porta-malas.

                                                  Chico Gouveia

domingo, 25 de janeiro de 2015


Meu primeiro amor

Hoje estou feliz, ontem falei com ela, 
Mas ela quase nem me deixou falar.
Me trouxe um lanche de pão com mortadela,
E um suco de maracujá.

Ela falou tanto, até pelos cotovelos, 
Se fosse fazer um novelo não dava para enrolar.
Falou de coisas do arco da velha.
Que a velha nem pôde se lembrar.

Sentamos à sobra de uma palmeira,
para a cabeça não esquentar. 
O sol estava tão quente,
Que fez pipocas das sementes de maracujá.

Ela falou tanto que meu ouvido doeu,
Falou de tudo, e nada se esqueceu.
Eu para disfarçar vi uns urubus rodeando,
Disse a ela: Vamos ver o que há?

Ela me disse: Deve ser carniça, eu que não vou lá!
Umas da vacas de papai sumiu, ninguém consegue encontrar.
Eu disse a ela: Pois pronto, os urubus já encontram,
Corra! vá a teu pai avisar.

Olhando nos meus olhos ela me disse: Quero te namorar.
Passou o braço em volta do meu pescoço.
Me deu um beijo na boca meio atrapalhado,
um beijo todo babado, espumado.
Tipo cachorro raivoso, mas foi gostoso.

Ela me disse: No próximo vou melhorar,
foi meu primeiro beijo. Eu disse: pare de contar.
Meu agarrei a ela foi tanto beijo com gosto de mortadela.
Hoje quando me lembro dela; Dá vontade de lanchar.


                               Chico Gouveia


* Minha amigas, nada ver, isso só foi inspiração e fome no momento que escrevia.