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quarta-feira, 25 de junho de 2014


Eramos Portugueses, de além mar, viemos de Portugal.
Atravessando o Atlântico.
Vomitando, arrotando e passando mal.
Na viagem banho não tomamos,
fedíamos e coisa e tal.

Comíamos sardinhas secas e o pão do Padre,
O tal Pão de Ló.
Tudo bichado; Morder os bichinhos até dava dó.
Mulheres não havia à bordo.
Só um efeminado: Desse ninguém tinha dó.

Tempestades e Maresias,
Observávamos as nuvens e o horizonte,
Diuturnamente cuidando do convés e do velame.
Enquanto o capitão dormia aos roncos e peidos, 
Cheio de gases do excesso do consumo de salame.

Até que um dia alguém gritou:
- Terra á vista!
Uma Ilha de Areias Branca e floresta verdejante.
Todos gritaram é um Brasil, ao verem os indígenas pelados,
Muitos paus vermelhos; Na praia.

Aportamos e caímos na farra.
Voltar à Portugal nem na marra.
Aqui as xoxotas são mais limpinhas e as mulheres não tem bigode,
Cada um se vira como pode, um comércio em cada esquina,
Um prostíbulo para cada menina.

Somente Pedro Alvares e o efeminado voltaram a Portugal.
Pedro mudou de nome deixou de ser Gouveia,
Foi morar na Espanha, criar filhos, e na barriga...banha.
O efeminado mudou para Paris foi trabalhar no teatro
e fazer papel de sereia.
 Dizem que depois virou Papa,
Ninguém escapa... da língua alheia.

(DIÁRIO DE BORDO)  Chico Gouveia

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